Thursday, February 22, 2007

Metro Mondego ouviu cidadãos com deficiência

Descrição da foto: José Moreira alerta sobre os acessos dos cidadãos aos transportes públicos

A sociedade Metro-Mondego mostrou a 12 de Setembro que não se vai esquecer das pessoas com mobilidade reduzida quando chegar a hora de instalar o tram-train no ramal da Lousã.

Durante a conferência “Informação - um veículo para a inclusão”, promovida pela sociedade Metro-Mondego, na sala Lousã do Hotel Tryp, em Coimbra, João Henriques, tetraplégico e assessor do Provedor Municipal das Pessoas com Deficiência da Lousã, teceu várias críticas à falta de acessibilidade às automotoras que circulam na linha.

“Subir para as automotoras do ramal da Lousã é um autêntico desporto radical, existe uma enorme perigosidade de utilizar este meio de transporte, porque as automotoras ficam muito longe da gare, sendo propício a quedas”, referiu durante o discurso. Acusando o Estado de, nesta matéria, ser altamente discriminatório por nunca ter pensado criar condições de acessibilidade para uma pessoa com deficiência viajar no meio de transporte, João Henriques apontou algumas soluções: “o perfeito seria colocar elevadores articuláveis”, mas “já nos contentávamos com uma situação provisória com uma rampa de acesso que ficasse fixa ou móvel na gare”. Tornar as bilheteiras acessíveis e ter casas-de-banho funcionais foram outras sugestões deixadas pelo defensor da acessibilidade que, como referiu, em cem anos de ramal nunca viu “gastarem um cêntimo para garantirem as mínimas condições de acessibilidade e segurança para todos os cidadãos”.

Apesar de ter algumas dúvidas sobre se haverá tram-train ou não, João Henriques considerou a iniciativa “positiva”, uma vez que lhe foi dada a oportunidade de manifestar a sua opinião, dando voz a muitas pessoas que sentem os mesmos problemas.

A falta de acessibilidade não significa apenas a existência de barreiras arquitectónicas. José Moreira, massagista invisual e também elemento do Grupo de Trabalho da Provedoria, falou dos problemas que um cego tem ao utilizar o comboio. “Não há marcações no chão a delimitarem o fim das gares correndo qualquer cego o risco de cair à linha, não há sinais sonoros indicativos da localização das portas e também não há avisos sonoros dos locais das paragens, sendo pois um grande acto de coragem ou uma enorme necessidade andar de automotora entre Coimbra e Serpins”, referiu. Questionado sobre a importância do evento, José Moreira afirmou que, depois deste encontro, a Metro Mondego terá uma responsabilidade acrescida. “Agora tem a obrigação de dar mais atenção às nossas sugestões, porque, além das nossas intervenções colocámo-nos ao dispor para qualquer tipo de apoio técnico.

No entanto, também tenho a consciência que não basta querer, é preciso poder. Como foi dito, já houve um projecto que foi considerado muito ‘ambicioso e, como tal, foi chumbado’”.

José Mariz, presidente da sociedade Metro Mondego, assegurou que o caderno de encargos do novo concurso público terá um capítulo autónomo sobre igualdade de acesso a todos os cidadãos ao transporte. “Isto para que todas as questões relacionadas com o livre acesso, por todos, àquele transporte público sejam tratadas pelos concorrentes de uma forma muito desenvolvida e realista”, referiu, na altura, José Mariz.

Fonte: Jornal Trevim

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